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No Setembro Amarelo, psiquiatra da Uniube tira dúvidas sobre suicídio

Publicado em: 25 de Setembro de 2020


A campanha Setembro Amarelo traz um alerta sobre o suicídio e a importância de tratar esse tema de forma consciente para a prevenção desse ato. Para falar sobre o assunto e reverter essa ideação, o psiquiatra do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU) e professor no curso de Medicina da Uniube, Dr. Fauze Sadalah Fakhouri, esclarece alguns pontos fundamentais:

 

O que é necessário ser desmistificado com relação ao suicídio?

Existem vário mitos e o principal deles é acreditar que conversar a respeito do suicídio irá induzir ou estimular o indivíduo a tentar contra a própria vida. Ao contrário, quando conversamos sobre isso, a pessoa se sente acolhida e isso favorece para que ela aceite uma ajuda profissional. Precisamos falar sobre a prevenção do suicídio, mas, claro, sem romantizar o tema.

Outro mito é pensar que quem deseja se matar não avisa e simplesmente faz. Quando na verdade, as estatísticas mostram que quase 80% das pessoas que cometeram suicídio tiveram algum tipo de comunicação verbal ou não verbal prévia. Dois terços delas tiveram contato com um serviço de saúde no mês anterior ao suicídio.

Esses mitos e tabus acontecem até mesmo na área médica, onde muitos utilizam o termo “autoextermínio” no lugar de suicídio.  Não devemos temer o termo suicídio, apenas ter consciência ao utilizá-lo e dar importância a ele.

 

Quais são os principais transtornos que podem estar relacionados ao comportamento suicida?

O principal transtorno mental associado ao suicídio é o depressivo. Porém, outros transtornos mentais, como: Transtorno Afetivo Bipolar, Transtornos de Personalidade, transtornos induzidos por abuso ou dependência de álcool e drogas ilícitas, Transtorno de Pânico e, até mesmo, pacientes com esquizofrenia podem apresentar ideias de suicídio e correr o risco de concretizá-lo. É importante dar atenção para um risco aumentado de suicídio nos pacientes com abuso/dependência de álcool e drogas, pela impulsividade e “coragem” que podem estar aumentadas durante a intoxicação por essas substâncias.

 

Quais os sintomas / sinais que requerem atenção?

Sinais de desesperança, desamparo, desespero, pessoas com discurso de que gostariam de sumir, de não mais existir, pessoas que conversam como se soassem estar se despedindo. Comumente, quem está planejando suicídio pode escrever uma carta de despedida, organiza-se para se desfazer de seus pertences ou até mesmo fazer um testamento. Isso caracteriza as comunicações verbais e não verbais descritas anteriormente.

 

Quais os fatores de risco para o suicídio?

Existem muitos fatores que requerem atenção. Dados estatísticos mostram que mulheres tentam mais suicídio, mas são os homens que morrem mais, por fazerem tentativas mais graves e violentas. Existe uma incidência maior nas faixas etárias de adultos-jovens e idosos. No caso dos adultos-jovens, falta de suporte familiar, dificuldades com a sexualidade, em lidar com as frustrações da vida adulta e impulsividade são questões de importante destaque. E nos idosos, questões relacionadas ao abandono, à aposentadoria e à sensação de incapacidade chamam a atenção.

 

História familiar de suicídio também é fator preditor de risco digno de consideração.

Ainda, é necessário destacar a presença mais marcante de sofrimento emocional em pessoas que pertencem a grupos étnicos que são minoria; em quem já passou por algum tipo de abuso, seja físico ou sexual, e violência doméstica; quem passa por constrangimentos, como bullying, e que esteja passando por situações de vergonha/humilhação. Pessoas que tiveram perda afetiva recente também precisam ser acompanhadas, principalmente na realidade que estamos vivendo de mortes antecipadas pela Covid-19.

Somando-se a essas questões e, também, isoladamente, é preciso analisar o suporte familiar e o acesso a meios letais.

 

O suicídio pode ser evitado?

Apesar de ser impossível prever e evitar todos os casos de suicídio, é importante estarmos atentos aos sinais, pois a maioria dos casos podem e devem ser evitados.

O risco diminui muito quando identificamos as pessoas vulneráveis, se conhece os fatores de risco, quando nos importamos em observar os sinais de sofrimento, quando ofertamos a escuta e apoio a um suporte profissional adequado.

 

Ainda existe estigma na procura por uma ajuda profissional?

Certamente, muitas pessoas ainda pensam que profissionais da psicologia ou psiquiatria tratam somente a "loucura". Enquanto, na verdade, o acompanhamento psicoterápico pode trazer benefícios para qualquer pessoa, mesmo que não possuam sintomas de transtornos mentais. Não deve ser visto somente como um tratamento, mas uma necessidade humana em ter um suporte diferente daquele encontrado em casa ou com amigos, com um especialista que possa cuidar de cada caso com técnicas embasadas na ciência.

Já o psiquiatra deve ser procurado quando existem sintomas que estejam causando sofrimento e prejuízo para a vida daquela pessoa. Nesses casos, será avaliada a necessidade de se iniciar um tratamento medicamentoso. Alguns psiquiatras podem também lançar mão de técnicas utilizadas pela psicologia durante a consulta médica. Isso é muito válido já que devemos abordar o indivíduo como um todo. É impossível dissociar a pessoa, que tem uma história de vida que influencia em seu estado emocional, de seus sintomas. Mesmo assim, isso não substitui o tratamento conjunto com o psicólogo. A associação das duas terapias produz um resultado mais conciso e duradouro.

 

Como as pessoas podem apoiar umas às outras para evitar o suicídio?

Acredito que o principal ponto é a observação do outro. Vivemos tempos em que as pessoas estão cada vez mais autovoltadas (preocupadas consigo e com seus interesses pessoais). Precisamos olhar para o próximo com uma visão mais empática. Estar atento ao estado e às emoções das pessoas que nos circundam, principalmente aquelas mais próximas e queridas. Isso pode nos dar indícios de que elas possam estar em sofrimento. Oferecer apoio é muito importante já que muitas delas estão se sentindo sozinhas e abandonadas em seu sofrimento. Essa sensação de abandono e desamparo é um dos fatores que pode induzir ou piorar os pensamentos de morte e suicídio.

Devemos ficar atentos em tentar acolher sem minimizar o sofrimento do outro. Muitas vezes, mesmo bem intencionados, alguns podem querer consolar as pessoas ao tentar diminuir o sofrimento delas, dizendo que “isso não é tão ruim” ou que “existem pessoas com problemas mais graves”. Na maioria das vezes, estar ao lado, somente escutar, um abraço e oferecer ajuda pode trazer um conforto muito maior do que qualquer palavra.

 

Mesmo que você não tenha certeza de que precisa de ajuda, não tenha receios, entre em contato com o CVV, pelo 188 ou pelo site www.cvv.org.br, por chate-mail.



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