|
DIDÁTICA SOB A
ÓTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA UM NOVO OLHAR Luiz
Antônio Silva Campos[i] UNIUBE Resumo No presente
trabalho faz se uma análise bibliográfica da Didática focalizada no contexto da
Educação Física. Parte da compreensão da etimologia da palavra o do seu
significado mais amplo na da educação e da
Educação Física. O estudo nasceu das necessidades de conhecimentos sobre
a questão dentro das aulas de Didática da Educação Física e Esportes.
Percebeu-se que no Brasil poucos estudiosos da área estudam com profundidade o
tema. Além disso, pelo constante desenvolvimento da área de Educação Física,
sobretudo para fora dos muros da escola, essa preocupação em dominar tal
conteúdo ficou relegado ao básico. Percebe-se também que mesmo quando o espaço
de atuação era restrito mais à escola, o entendimento de didática era restrito
somente aos pedagogos, o profissional da área restringia-se nas atividades
práticas deixando de lado uma fundamentação teórica para essa prática. Didática
da Educação Física antes de tudo é analisar profundamente os fundamentos
teóricos da Educação Física, o contexto em que essa está e os aprendizes que
estão envolvidos, após partir para o planejamento de ensino preenchendo todos
os elementos que a compõem. Crê-se que o resultado teórico desse estudo será
fundamental para uma melhor compreensão sobre o processo de ensino em Educação
Física, independentemente do espaço em que esta estiver acontecendo Palavras Chaves - Educação Física, Didática, Ensino,
Educação. ABSTRACT This work is a bibliographical anlysis of the
didactics that focus within the context of physical edcation. It starts with
the etymology of the word didactics and its broader meaning in physical
education. The study comes from a need of a knowledge of didactics in the
classes of physical education and sports. It is apparent that in Brazil few
scholars within this area have made a thorough study of the term. Because of
the constant development in the area of pysical education, outside the walls of
the school, the concern about understanding of the subject has been relegated
to only the basics. It is also noted that when the activity is restriced within
the school, the understanding of didactics is limited to pedagogy. The teacher
limits his activity only to the pratical without giving any of the underlying
theories. Above all else the didactics of physical education is to analyze
throughly the fundamental theories of physical education and the context of the
learners who are involved, coming from a well prepared lesson plan that incorporates
all of these components. It is believed that the resulting theory from this
study will be fundamental toward a better understanding of the process of
teaching in physical education, independent of wherever it may take place. KEY WORDS Physical education, Didactics, Education, Teach. DIDÁTICA – UMA
CONCEPÇÃO AMPLA Antes de entendermos o que é Didática
da Educação Física devemos nos reportar à uma ciência da educação, a Pedagogia.
Na Pedagogia a Didática é classificada como Didática geral e Didática especial.
A Didática da Educação Física é uma Didática Especial. É importante entendermos o significado
de didática geral para que possamos dimensionar o contexto da didática da
Educação Física.. Neste estudo nos detivemos em apenas
três fontes bibliográficas para entendermos tal conceito. Na Barsa eletrônica
(1999) o conceito de didática é: "Arte e técnica de orientar a aprendizagem, a didática (do
grego didaktike [tékhne], "[arte] de instruir, de ensinar"),
divide-se em duas partes: (1) didática geral, que estabelece a teoria
fundamental do ensino, examinando-lhe criticamente os diferentes métodos e
procedimentos; (2) didática especial, que analisa a função e os objetivos de
cada disciplina, orientando a dosagem da matéria a ser transmitida ao aluno e
sua distribuição pelas fases e graus de ensino." ©Encyclopaedia Britannica do
Brasil Publicações Ltda. Ou ainda, segundo Masetto (1997) após
analisar as concepções de vários estudiosos, afirmou: que didática é uma reflexão sistemática e acrescenta: (...) que acontece na escola e na aula. É o
estudo do processo de ensino aprendizagem em sala de aula e de seus resultados
(p.). Segundo Libâneo (1994, p. 28) "Didática pode constituir-se em a teoria do
ensino". É interessante acrescentar que o autor afirma "(...) aparece quando os adultos começam a intervir na atividade de
aprendizagem das crianças e jovens através da direção deliberada e planejada do
ensino, ao contrário das formas de intervenção mais ou menos espontâneas de antes".(ibid.
p. 58). Essa última afirmação é interessante à
medida que entendemos que o exercício didático não acontece somente no contexto
da unidade escolar, mas no seio da sociedade por meio das interações sociais
dos seus pares. Há um processo de ensino constante na sociedade em que estamos
inseridos. Morrin (2.000, p.28), em seu estudo,
diz que: "O imprinting[ii]
cultural marca os humanos desde o nascimento, primeiro com o selo da cultura
familiar, da escolar em seguida, depois prossegue na universidade ou na vida
profissional".O imprinting é
conseqüência da interação desses dois processos de ensino. Podemos nomear o processo de ensino que acontece fora da
escola como ensino informal. Ele acontece no seio da sociedade em que vivemos e
fora da unidade escolar. Esse processo
informal de ensino é empírico, mas organizado, pois o resultado da evolução
humana foi justamente a organização da vida em todos os seus aspectos. Ao outro
processo de ensino, que aqui denominaremos de processo de ensino formal,
acontece na instituição escola. Tal processo é embasado em conhecimentos
científicos de muitos cientistas e filósofos educacionais. A preocupação com o
desenvolvimento desse processo científico e filosófico de ensinar, historicamente,
data desde antes da sociedade greco-romana, organizado e conduzido por outra
civilizações antigas tais como egípcios, chineses, etc. Podemos crer que desde
a pré-história isso acontece, mas teve uma ênfase maior no período greco-romano.
Nesta reflexão
sobre Didática da Educação Física, entendemos que, em ambos os casos, ensino
informal e formal, a interação entre os dois é essencial para o desenvolvimento do aprendiz, em
qualquer circunstância e em qualquer faixa etária de sua vida. A organização
do ensino no contexto escolar depende de como esse ocorre no seio da sociedade
em que vive o aprendiz. A didática é
um elemento da pedagogia. O conceito de pedagogia nasceu na Grécia. No início,
na paidéia grega "criação de meninos", posteriormente, os
pensadores educacionais de épocas posteriores ampliaram-no acrescentando o conceito
de Agogôs
(que conduz), criando um novo conceito, o "Paidagogos que significa "aquele
que conduz a criança" (Aranha, 1996, p.41) e, hoje, temos a pedagogia,
classificado por muitos estudiosos como uma ciência da educação. Um paidagogo devia se organizar para
ensinar, portanto, o pensar, o organizar e o executar o ensino era e é um
processo didático. A Educação
Física acontece no processo de ensino informal. Por meio das interações
sociais há o desenvolvimento de
habilidades motoras. Sendo assim, os resultados devem ser valorizados e
estimuladas no processo de ensino formal, ou seja na Educação Física Escolar. Uma característica que difere os
profissionais da Educação Física dos professores das outras disciplinas que
compõem o currículo escolar é a sua atuação fora do contexto escolar,
desempenhando ações de ensino semelhante à escolar em academias, clubes esportivos,
personal training, etc. Os princípios didáticos que orientaram
essas outras práticas de ensino são os mesmos independentemente da faixa etária
em que se encontra o aprendiz. Resumindo a discussão acima podemos
concordar com o que Libâneo (1992, p. 17) enunciou em sua obra denominada de Didática: "[...] a educação compreende os processo formativos que
ocorrem no meio social, nos quais os indivíduos estão envolvidos de modo
necessário e inevitável pelo simples fato de existirem socialmente [...] Existe
numa grande variedade de instituições e atividades sociais decorrentes da
organização econômica, política e legal de uma sociedade, da religião, dos
costumes, das formas de convivência humana". Considerando que estamos abordando a
questão específica da Educação Física, o desenvolvimento de atividades físicas,
esportivas, de lazer, de recreação, etc, são conteúdos de um processo de ensino
que o profissional nem sempre está presente, contudo, é essencial que ao propor
o seu processo de ensino devem considerá-lo, analisando, buscando recursos
nesse outro processo que possa ajudar o seu trabalho e finalmente considerar
todo o aspecto social que envolve o aprendiz. Esse é o primeiro passo da
didática no processo de ensino do profissional. a) ELEMENTOS DA DIDÁTICA Os rudimentos básicos da didática são:
os princípios educacionais, os objetivos educacionais, os objetivos gerais e
específicos de cada disciplina e conteúdos programáticos, os recursos e métodos
de ensino, a avaliação, a relação professor-aluno-discplina. Tudo isso é
traduzido no planejamento de ensino. Numa rápida explanação de cada um
desses elementos, iremos relacioná-los à Educação Física brasileira,
ressaltando como são interpretados e trabalhados. No que diz respeito aos princípios
educacionais da Educação Física brasileira temos hoje um Conselho Federal que
orienta a prática de uma Educação Física, em qualquer ambiente, fundada em preceitos
éticos bem definidos. Pensando assim, o profissional deverá
pautar-se por ensino de inclusão, de respeito à etnia, raça, credo, à cultura
do aprendiz, de incentivo à promoção da cidadania. Dois estudos importantes devem ser
considerados para orientação do processo educacional. O primeiro é o Relatório
da UNESCO elaborado por uma série de pensadores, filósofos educacionais
contemporâneos que estabeleceram que a educação atualmente deve estar apoiada
em quatro pilares: "aprender a aprender,
aprender a fazer, aprender a se relacionar e aprender a ser"(Delors, 1999). Outro pensador contemporâneo, já citado
neste estudo, Morrim (2.000) elaborou um trabalho sobre os "sete saberes necessários à educação do futuro", também chancelado
pela UNESCO. No trabalho existe uma preocupação com uma prática de ensino onde
a ecologia, a concepção de todo e a preocupação planetária devem ser muito bem
trabalhadas. Esses estudos são fontes de orientações
para os princípios didáticos. Eles refletem uma preocupação mundial com base
nos acontecimentos do desenvolvimento humano. Diga-se de passagem, nem sempre
ideais para o ser humano, portanto, devemos estar sempre pinçando o que há de
melhor nesses acontecimentos. Para isso esses estudiosos estão aí. Os objetivos gerais da Educação Física
estão traduzidos em um plano nacional, realizado por vários pensadores da área,
denominado de PCN (Parâmetros Curriculares Nacional). Tais Parâmetros são base
para o ensino escolar institucionalizado. Para o profissional que atua somente fora
do ambiente escolar, os objetivos educacionais, se assim podemos
classificá-los, existem relacionados à saúde, aptidão física e qualidade de
vida, à estética e ao relacionamento social. Hoje, na sociedade brasileira, tais
objetivos estão bem definidos e possibilitando a inserção do profissional em
várias áreas da saúde, forçando-o, cada vez mais a uma ação metodológica de
trabalho multiprofissional. Isso é positivo e, tecnicamente não difere muito dos objetivos propostos
para a Educação Física Escolar. Quanto aos conteúdos de ensino da
Educação Física Escolar, podemos perceber que, historicamente, mudou pouco. O
esporte, a recreação, a ginástica, o jogo, a competição de maneira organizada e
orientada. Nos Parâmetros Curriculares Nacional,
temos como propostas de conteúdos: as atividades rítmicas e expressivas, a
recreação, a ginástica, as lutas, o esporte e o conhecimento do corpo. Esses conteúdos estão fundamentados na
cultura do movimento, principalmente da cultura riquíssima que o brasileiro
possui Nas academias temos como conteúdo uma
série de ginásticas, tais como: body pump, spinning, body combat, gap power,
body attack, musculação, ginástica localizada, ginástica natural e outros tipos
de aulas baseadas em outras culturas milenares, sobretudo chinesa e indu. Como dissemos anteriormente, o conteúdo
sempre será o mesmo, o que muda sempre é a forma de ministrá-lo. Como eles
estão em função dos objetivos, que por sua vez estão condicionados aos
objetivos gerais, no caso o bem-estar físico que influencie num melhor
desempenho de todas as funções do corpo humano. É do nosso conhecimento que o método de
ensino e os recursos utilizados são fundamentais no processo de ensinar. Em
Educação Física há discretamente uma discussão teórica a respeito da questão. O que se busca sempre é um "receituário". Uma receita pronta para
aplicação na forma de aula, independentemente de estarmos ministrando dentro ou
fora da escola. Terminantemente, discute-se muito pouco a questão do método em
Educação Física. XAVIER (1986), por meio de um estudo,
conclui que três são os métodos de ensino em Educação Física: método global,
método parcial e o método misto. No global o ensino se dá do jogo para os
fundamentos. No método parcial inicia-se pelos fundamentos do jogo até ao jogo
e o método misto é a combinação de ambos. FARIA Jr. et.al. (1982) em um estudo
sobre prática de ensino em Educação Física dedica um capítulo à discussão de
vários estilos de ensino. Podemos dizer que, na verdade, são métodos, por
exemplo: o primeiro – comando e o último proposto na escala, solução de
problemas. HILDEBRANDT, LAGING (1986) propôs um
forma de ensinar a Educação Física Escolar numa concepção aberta de ensino.
Usou como conteúdo de ensino o handebol. O trabalho pode ser considerado como um
método bem atual, já que o aluno é o centro da aula. Na concepção dos autores " a aula de Educação Física está subordinada
a uma complexidade cognitiva, afetiva, motora e social" (p. 31). Sem querermos cometer qualquer
injustiça, podemos afirmar que há poucas obras voltadas para discussão da
metodologia de ensino em Educação Física. Tornamos afirmar que há sim um grande
receituário tipo 1001 exercícios, isso inibe as discussões mais aprofundadas e
acomoda o profissional e, mais grave ainda, equipara o seu trabalho ao nível do
leigo. Metodologia e recursos são elementos
importantes no contexto da didática. Devem ser no mínimo criados para atender
especificamente àquela realidade em que se está processando o ensino. Só cria
quem lê, quem estuda, analisa, registra e verifica sistematicamente o desempenho
de seu trabalho. A avaliação é fundamental no processo
de ensinar. É por meio dela que o profissional poderá detectar como o seu
processo de ensino está, qual é a necessidade de refazê-lo (feedback) e qual a
necessidade de incrementá-lo. Na Educação Física Escolar,
historicamente, isso foi e é um desastre. Não existe uma forma definida de se
avaliar desempenhos. Há algum tempo atrás eram realizados os famosos exames
médicos (diga 33!) e uma bateria de exercícios, tipo quartel militar. Atualmente não se tem notícia a qual
avaliação é feita na escola e, nem se sabe se ela é importante. Nas escolas
existem fichas de avaliação, subjetiva, em que o profissional escreve um
parecer sobre o aluno. Fora isso não existe mais nada. A avaliação de ensino nos ambientes
fora do contexto escolar é sistemática, o aluno na academia deve pagar para
isso. Ela é realizada por meio de uma
alta tecnologia e dá resultados importantes para que o profissional possa
prescrever as atividades de forma segura e eficaz. Cremos que para se avaliar antes,
durante e depois o trabalho de Educação Física Escolar existem outras formas
mais em conta, que proporcionam resultados fidedignos e possibilitam ao
professor um melhor desempenho no seu processo de ensino e na sua didática. A relação professor-aluno-disciplina em
Educação Física é um tema interessante. Escutamos nas rodas de profissionais da
área uma afirmação comum: na aula de Educação Física, seja ela escolar ou na
academia, há uma proximidade muito grande entre professor-aluno-disiciplina. Na
Educação Física isso é fácil (sic). Mas, oposto a essa afirmação percebemos
que o professor é discriminado e tem sempre pela frente o trabalho de um leigo
opondo se ao seu. Pois bem, no aspecto disciplina a relação é muito favorável.
Até para o leigo o é. Na relação interpessoal professor-aluno
é tanto para o leigo como para o profissional. O que se estabelecerá como
diferença a favor do profissional neste caso? Ora, é simples, se o acesso a
isso é fácil, devemos ter uma postura realmente profissional e definida e
entender que esta relação será um ponto de partida e de chegada para a melhoria
da qualidade de vida daquele aluno que está nas suas mãos, e pronto! Achamos que esta questão do
relacionamento deveria ser avaliada com mais profundidade cientifica e
filosoficamente por todos os profissionais da área. Temos a chance de
estabelecer uma relação interpessoal positiva e eficaz e não a aproveitamos
como deveríamos fazê-lo. O planejamento é essencial para o desenvolvimento
de um processo de ensino. Contudo, para o profissional da Educação Física nem
sempre é visto assim. Ele acontece! Simplesmente acontece
porque na escola, na academia existe um lugar para guardá-lo. Entretanto, nem
sempre ele é efetivo, real, exeqüível, etc. Planejar e executar é uma arte.
Requer estudos profundos sobre o que ensinar, como ensinar, dispor recursos
para ensinar, avaliar, refazer e avaliar novamente. Ora, se já manifestamos que em Educação
Física, tanto na escola como na academia, no clube, na recreação, etc, há uma
opção pela aula pronta ou pelos 1001 exercícios, para que planejar? O ponto culminante da didática da
Educação Física é o planejamento do trabalho e com certeza, só terá o dom da arte de ensinar quem tiver o dom de planejar. O ato de planejar não é simplesmente um
ato de escrever algumas idéias. Requer estudos científicos, filosóficos sobre
tudo que será abordado. É pré-requisito entender o aprendiz, o conteúdo
técnico, científico e filosófico da área em questão. O aspecto teórico que irá fundamentar o
planejamento é mais importante que o estrutural. Podemos afirmar que a
estrutura de um planejamento será determinada pelo conhecimento teórico sobre a
área, sobre o aprendiz e as possibilidades de interelações. Dominando tais
conhecimentos o planejador cria a estrutura. Como pressupostos conclusivos, podemos
afirmar que estes elementos da didática são a base do estudo. Neste estudo
abordamos de maneira simples e objetiva sobre tais elementos relacionados à
área de Educação Física escolar e não escolar. A base da explanação foi amparada numa
linha de questionamento. É nossa pretensão estender tal estudo propiciando
alternativas que irão levar o profissional de Educação Física a um melhor
desempenho no seu processo de ensino. b) QUEM E COMO PENSAM DIDÁTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA É difícil dimensionar a questão "quem"
e "como" estão pensando a Didática da Educação Física. Entendemos que há vários
estudos sendo realizados para desenvolver uma fundamentação teórica sobre esse
questionamento. Contudo, tais estudos estão espalhados pelos vários núcleos da
Educação Física no Brasil. As bibliografias que tratam da Didática
da Educação Física são antigas e retratam uma concepção de uma tendência de
ensino que já passou por uma revolução de paradigmas e, consequentemente sofreu
alterações profundas. Isso, evidentemente, altera a reflexão sobre a Didática
da Educação Física. Podemos considerar como o primeiro
estudo brasileiro que abordou, especificamente, a Didática da Educação Física,
tendo como tema a formulação de objetivos de ensino, foi o trabalho elaborado
por FARIAS JR. (1981). Nessa época, tínhamos a tendência pedagógica tecnicista
no processo de ensino, tendência que sofreu mudanças face ao desenvolvimento
social e as mudanças na política educacional. É bom observar que o fato do trabalho
ser antigo não diminui a sua qualidade. Podemos aproveitá-lo amplamente no
planejamento do processo de ensino. Como já foi mencionado anteriormente, a
proposta de ensino de HIDEBRANDT, LAGING (1986) dá margem a uma reflexão sobre
a Didática da Educação Física. E quando o ensino se processa de forma aberta e
sistemática é bem apropriado para a nossa época atual. SEYBOLD (1976) desenvolveu um estudo
que resultou na elaboração de " principios
didácticos de la educación física" , que ao nosso ver, é uma leitura interessante
antes de se planejar em Educação Física. São leituras dessas concepções que
fundamentarão o trabalho do profissional de Educação Física. Bañuelos (1984), estúdioso espanhol que
editou um estudo sobre "bases para uma
didáctica de la educación física y el deporte" . O autor faz uma análise da
Didática da Educação Física pelo foco das tarefas motores. Cremos que existem vários estudiosos
espalhadas nesses núcleos de pesquisa na área que realizam trabalhos com esse
enfoque. Contudo, entendemos que quando queremos expressar didática devemos nos
ater no aspecto teórico mais amplo da questão do ensino, no caso de Educação
Física, devemos partir para a elaboração do planejamento englobando várias
modalidades de ensino ou, melhor dizendo, vários conteúdos programáticos. Nesse
sentido, todos esses conteúdos estão relacionado à tarefas motores variando em
muitos graus de execução. No estudo, Didática deverá ser
entendida como análise do contexto, no caso, Educação Física, planejamento e
execução de ensino. Assim, podemos afirmar que existem poucos trabalhos
voltados especificamente para esse tema. É nossa pretensão em estudos
posteriores partir para uma reflexão mais aprofundada sobre Didática da Educação
Física, na intenção de auxiliar o pensamento teórico na Educação Física sobre o
processo de ensino no contexto escolar (Educação Física Escolar) e no contexto
do ensino que acontece fora da escola (academias, clubes esportivos, centros de
recreação e de lazer, etc.) c)
PRESSUPOSTOS CONCLUSIVOS A partir do exposto, podemos afirmar
que: "didática da Educação Física é a compreensão da dimensão do corpo na
essência humana e suas interações relacionadas à cultura do movimento, afim de
sistematizar o processo de ensino na escola em outros seguimentos sociais em
que atua o profissional de Educação Física." REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA BAÑUELOS, Fernando Sánchez. Bases para una didáctica de la educación física y el deporte.
Madrid : Gymnos editorial, 1984. ENCYCLOPAEDIA
BRITANNICA DO BRASIL PUBLICAÇÕES LTDA. Barsa CD v. 1.11 – Internet. Software
desenvolvido por LEXIKON Informática Ltda,
1999. FARIAS
JR. Alfredo Gomes de. Didática de
educação física formulação de objetivos. Rio de Janeiro: Interamericana. 1981. FARIAS
JR. Alfredo Gomes de., CORRÊA, Eugênio da Silva, BRESANE, Riselaine da Silva. Prática de ensino em educação Física:
estágio supervisionado. Rio de Janeiro: Interamericana, 1982. GHIRALDELLI
JR. Paulo. O que é pedagogia. 3ª ed.
São Paulo : Brasiliense, 1996. (Coleção primeiros passos: 193). LIBÂNEO,
José Carlos. Didática. São Paulo :
Cortez, 1992 (Coleção magistério – 2º grau, Série formação do professor). MASETTO,
Marcos Tarciso. Didática: a aula como
centro. 4ª ed. São Paulo : FTD, 1997. (Coleção aprender e ensinar). MORIN,
Edgar. Os sete saberes necessários à
educação do futuro. Trad. Catarina Eleonora F. da Silva e Jeane Sawaya;
rev. técnica: Edgard de Assis Carvalho. 2ª ed. São Paulo: Cortez, DF : UNESCO,
2.000. OLIVEIRA,
Vitor Marinho de. O que é educação
Física. São Paulo : Nova Cultural : Brasiliense, 1986. (Coleção primeiros
passos: 84). SEYBOLD, Annemarie. Principios
didácticos de la educación física. Buenos
Aires: Kapelusz, 1976. XAVIER,
Telmo Pagana. Métodos de ensino em
Educação Física. 1ª ed. São Paulo: Manole, 1986. [i] Professor de Educação Física, Pedagogo, Diretor do Curso de Educação Física da Universidade de Uberaba, Mestre em Educação, leciona as disciplinas Metodologia da Pesquisa e Didática da Educação Física e Esportes. [ii] "O imprinting
é um termo proposto por Konrad Lorenz para dar conta da marca indelével imposta
pelas primeiras experiências do animal recém-nascido (como ocorre com o filhote
de passarinho que, ao sair do ovo, segue o primeiro ser vivo que passe por ele,
como se fosse sua mãe), o que Andersen já havia contado à sua maneira na
história d´O patinho feio. Morin, 2000, p. 28). |